21 outubro 2012

vento

achava que, colecionando lembranças, podia fazer voltar o tempo. as lembranças foram se somando, atulhando a mente, o corpo, o quarto. em meio a tanto passado, o tempo não conseguia passar. ia já morrendo quando um vento escancarou a janela e foram-se, voando, todas as fotografias, todas as cartas, os cheiros, os olhares. no vazio da alma limpa,  podia enfim brotar outro amor.

16 outubro 2012

coração de vidro

deve vir dos astros, ou talvez do degelo das calotas polares, ou da soma dos sofrimentos dos humanos. é isso: os sofrimentos evaporam e produzem uma espécie de nuvem espessa que nos envolve a todos. nesses dias, viver fica especialmente difícil. quase qualquer toque pode ser muito dolorido. é preciso urgentemente encontrar a delicadeza.